{"id":1506,"date":"2017-05-01T18:01:05","date_gmt":"2017-05-01T21:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/tuttoilmondo.com.br\/sandbox\/artemis?p=1506"},"modified":"2017-05-01T18:02:31","modified_gmt":"2017-05-01T21:02:31","slug":"o-underground-e-o-amadorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tuttoilmondo.com.br\/sandbox\/artemis\/o-underground-e-o-amadorismo\/","title":{"rendered":"O underground e o amadorismo"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por:<\/strong> Willian Jhonnes<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salve galera! Estou aqui novamente para discutirmos o underground. Como fiz no <a href=\"https:\/\/tuttoilmondo.com.br\/sandbox\/artemissecoes\/colunas\/universo_underground\/universo-underground-estreia\/\"><strong>artigo passado<\/strong><\/a>, vou trazer mais uma face question\u00e1vel da cena underground: o amadorismo. Sempre tive a opini\u00e3o de que\u00a0<em>underground<\/em> e\u00a0<em>amadorismo<\/em> nunca foram sin\u00f4nimos, mas n\u00e3o \u00e9 isso que temos visto na cena como um todo. Desde bandas a produtores, passando por donos de bares e assessores de imprensa, o n\u00edvel de profissionalismo \u00e9 realmente baix\u00edssimo. Aqui e ali vemos projetos fracassados, trabalhos (muito) mal feitos e bandas em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, e isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa que deveria acontecer. O underground, como um todo, carece de uma profissionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">As bandas<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bandas n\u00e3o precisam ser ruins para fazerem jus ao t\u00edtulo de <em>underground<\/em>. A cena nunca ser\u00e1 forte enquanto os m\u00fasicos destas bandas n\u00e3o se tocarem e verem que precisam evoluir para que sua banda obtenha o destaque que eles tanto desejam. Volta e meia vemos em um bar uma banda autoral (o que \u00e9, sempre, uma \u00f3tima iniciativa) tocando muito mal, sem um m\u00ednimo de profissionalismo e respeito ao p\u00fablico que foi l\u00e1 para assist\u00ed-la. M\u00fasicos que, seja pela apatia do p\u00fablico por conta de sua m\u00fasica tecnicamente ruim, seja pelo seu amadorismo ao montar seu pr\u00f3prio equipamento no palco, encerram seu &#8220;show&#8221; ap\u00f3s a terceira m\u00fasica e saem do palco reclamando de tudo, como se fossem v\u00edtimas. O p\u00fablico que pagou sua entrada e se disp\u00f4s a ver o show de bandas assim se sente, obviamente, desrespeitado, pois esperava um pouco mais de considera\u00e7\u00e3o e profissionalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, n\u00e3o adianta reclamar do p\u00fablico, do bar, do palco, do equipamento ou de todo o resto quando a culpa \u00e9 exclusivamente sua. N\u00e3o adianta choramingar quando o p\u00fablico n\u00e3o assiste \u00e0 sua banda se voc\u00ea continua agindo como um amador. N\u00e3o importa se a sua banda tem 10, 15, 20 anos (e voc\u00ea se gabe disso o tempo todo) se voc\u00ea n\u00e3o age como um profissional, preferindo agir apenas como um ot\u00e1rio que tem uma banda e acredita que, por isso, todos devam gostar de voc\u00ea ou sua m\u00fasica. A cena precisa de mais pessoas comprometidas, que levam a s\u00e9rio o trabalho que fazem (e destas eu tenho uma grande lista), pois \u00e9 com elas que a cena se fortalece. Essas pessoas (e suas bandas) demonstram um grande senso de profissionalismo, seja com suas m\u00fasicas bem compostas, seus shows bem executados e seu trabalho em seus \u00e1lbuns. S\u00e3o elas que fazem com que a cena se movimente, seja conhecida fora de seus redutos e tenha um pouco mais de visibilidade mas, por conta dos amadores &#8211; que s\u00e3o a grande maioria nesse cen\u00e1rio -, acabam pagando um pre\u00e7o alto por esse amadorismo, pois o p\u00fablico acaba deixando de comparecer a um \u00f3timo show, de uma \u00f3tima banda, porque esses amadores est\u00e3o envolvidos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Os produtores<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra face deste amadorismo est\u00e1 naqueles que\u00a0<em>organizam<\/em> os eventos underground. Com eles, falta planejamento, log\u00edstica, organiza\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o. Esses amadores t\u00eam, claro, o p\u00e9ssimo h\u00e1bito de competirem entre si. Alguns s\u00e3o capazes, inclusive, de organizar eventos para a mesma data que o seu\u00a0<em>rival<\/em>, dividindo o mirrado p\u00fablico que qualquer um dos dois teria. Muitos deles, como j\u00e1 presenciei, se orgulham por agir assim e acreditam, realmente, que est\u00e3o lutando pela cena. Seres assim, com suas guerrinhas e disputas infantis e seus egos inflados e fr\u00e1geis, fazem com que o p\u00fablico se sinta desmotivado em participar de qualquer evento que seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto \u00e9 a falta de planejamento. Muitos eventos underground s\u00e3o organizados sem qualquer forma de planejamento. S\u00e3o escolhidas datas ruins, muito pr\u00f3ximas de grandes eventos ou &#8211; e isso se refere muito \u00e0 nossa realidade &#8211; muito pr\u00f3ximas ao fat\u00eddico &#8220;fim do m\u00eas&#8221;. No Brasil, em nosso atual momento econ\u00f4mico, fica dif\u00edcil para a grande maioria do p\u00fablico ir a 4 ou 5 eventos em um mesmo m\u00eas, por mais que eles n\u00e3o sejam caros. Pior ainda \u00e9 quando se tem um grande evento competindo com um evento underground. Fica dif\u00edcil encher um bar que apresente uma banda local de\u00a0<em>Thrash Metal<\/em> quando o <em>Slayer<\/em> vai se apresentar no mesmo m\u00eas ou, principalmente, na mesma semana. Se o produtor tivesse um pouco mais de cuidado com a escolha das datas, ou se mantivesse atualizado com as datas dos grandes shows, talvez seus eventos n\u00e3o sofressem com o esvaziamento do p\u00fablico. Mesmo j\u00e1 tendo enfrentado essa situa\u00e7\u00e3o, algum produtores continuam insistindo em n\u00e3o planejar melhor seus eventos. N\u00e3o adianta organizar um evento para o fim do m\u00eas, quando a galera j\u00e1 n\u00e3o tem mais dinheiro pra um show pois prefere ir pro boteco beber cerveja mais barata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra coisa que esses amadores costumam esquecer \u00e9 a divulga\u00e7\u00e3o. Hoje, com as redes sociais, parece f\u00e1cil divulgar um evento, mas a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. N\u00e3o adianta nada criar um evento no Facebook e compartilh\u00e1-lo 50 vezes em sua pr\u00f3pria linha do tempo; apenas as mesmas pessoas que visualizaram da primeira vez visualizar\u00e3o novamente e, se elas n\u00e3o se interessaram por ele na primeira vez, n\u00e3o ser\u00e1 na vig\u00e9sima que isso ocorrer\u00e1. \u00c9 preciso entender como funciona a comunica\u00e7\u00e3o, entender que apenas compartilhar infinitamente um evento no Facebook n\u00e3o levar\u00e1 ningu\u00e9m ao show, e que que sem um plano de comunica\u00e7\u00e3o eficiente e uma boa divulga\u00e7\u00e3o (a qual, claro, custa dinheiro), seu evento estar\u00e1 fadado ao fracasso. E, n\u00e3o, isso n\u00e3o mudar\u00e1 enquanto esses amadores continuarem acreditando que sem investimento seus eventos ser\u00e3o um sucesso.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Os bares<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o adianta ter um palco e abrir espa\u00e7o ao pessoal underground da cidade se voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 competente para isso. Ao contr\u00e1rio do que vemos aqui em Curitiba, em bares como o\u00a0<strong>92 Graus<\/strong>, milhares de bares espalhados por a\u00ed contam com verdadeiros amadores em sua condu\u00e7\u00e3o. Bares que, um dia, foram os maiores da cidade, dada a incompet\u00eancia de seus donos, hoje j\u00e1 n\u00e3o existem mais. Seja pela p\u00e9ssima qualidade do som, do atendimento ou pelo n\u00edvel das bandas apresentadas, esses bares sofreram com um irremedi\u00e1vel decr\u00e9scimo em seu p\u00fablico, levando-os \u00e0 fal\u00eancia. Mesmo que tenhamos bares que representam o esp\u00edrito underground h\u00e1 mais de 30 anos e que sobrevivem a todas as crises e percal\u00e7os da nossa economia, cultivando o respeito de todos aqueles que, mesmo por um dia, os frequentaram, a maioria dos bares que se intitulam como\u00a0<em>underground<\/em> n\u00e3o passam de grandes pocilgas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 poss\u00edvel que algu\u00e9m se proponha a representar um movimento sem um m\u00ednimo de profissionalismo e comprometimento? N\u00e3o d\u00e1 pra esperar de algu\u00e9m que, como objetivo, quer apenas o lucro das vendas e explora as bandas que ele decide colocar em seu palco. E, para piorar, esse escroto ainda decide cobrar um valor exorbitante por tudo que vende, esperando que o p\u00fablico se sujeite a isso como se fosse sua \u00fanica op\u00e7\u00e3o. Nessas situa\u00e7\u00f5es \u00e9 que questiono: onde est\u00e1 o profissionalismo deste\u00a0<em>dono de bar<\/em>? O mesmo propriet\u00e1rio que j\u00e1 ouvi dizer que se v\u00ea obrigado a oferecer comida para poder atrair o p\u00fablico \u00e9 o mesmo que quer obrigar o m\u00fasico a receber uma mis\u00e9ria como cach\u00ea e, quando m\u00fasicos mais qualificados e mais s\u00e9rios se recusam a tocar pela mis\u00e9ria que ele oferece, coloca as piores e mais amadoras bandas da cidade para tocar. Pessoas assim fazem com que a cena toda se esvazie, j\u00e1 que nenhuma banda underground s\u00e9ria vai querer um evento nestes locais, dados todos os problemas que isso pode lhes trazer.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">A imprensa<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, l\u00e1 vou eu reclamar da imprensa de novo. Hoje, com a facilidade para criar e manter um site, qualquer um pode ser um <em>ve\u00edculo de imprensa<\/em>. Com isso, temos um incha\u00e7o nesse setor e, por consequ\u00eancia, uma queda absurda na qualidade do trabalho. \u00c9 muito comum ver &#8220;assessores&#8221; de imprensa fazendo trabalhos realmente amadores e, pior, cobrando por isso. Aqueles R$ 200,00 que uma banda underground paga para seu assessor disparar\u00a0<em>releases<\/em> mensalmente poderiam ser muito melhor aproveitados se, ao inv\u00e9s de um amador, fosse contratado um profissional de verdade. \u00c9 rid\u00edculo receber um material de imprensa mal escrito, mal composto e, principalmente, completamente desnecess\u00e1rio. Recebi, h\u00e1 algum tempo, como um grande\u00a0<em>release<\/em>, um v\u00eddeo de p\u00e9ssima qualidade de uma banda excelente, mas que, neste v\u00eddeo, a fez parecer igualmente p\u00e9ssima. Isso \u00e9 um desservi\u00e7o, tanto para o assessor quanto para a banda, pois isso transpira amadorismo. Gerar um volume absurdo de informa\u00e7\u00e3o in\u00fatil, mal concebida, n\u00e3o faz com que o underground se fortale\u00e7a. Ao contr\u00e1rio, apenas os ve\u00edculos mais amadores e sem qualquer visibilidade se preocupar\u00e3o em veicul\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, por falar nisso, o n\u00famero de amadores que se apresentam como ve\u00edculos de imprensa \u00e9 inacredit\u00e1vel. Volta e meia surge um novo blog sobre a cena underground, feito por pessoas desqualificadas e sem qualquer compromisso com o trabalho. A impress\u00e3o que tenho \u00e9 que essas criaturas brotam dos esgotos para tentar aparecer a qualquer custo, entrar em shows de gra\u00e7a e terem seus sacos puxados de alguma forma. N\u00e3o s\u00e3o profissionais, n\u00e3o se comprometem com aquilo que se prop\u00f5em a fazer e, acima de tudo, querem apenas frequentar as rodinhas paneleiras das quais falei no artigo passado. Sim, esses cretinos tamb\u00e9m prejudicam a cena, pois n\u00e3o est\u00e3o realmente interessados em fortalecer o movimento underground. Essas pessoas querem, claro, colher os frutos de algo que n\u00e3o constru\u00edram, nem se interessam em fazer um bom trabalho, prejudicando todos os outros que, ao contr\u00e1rio deles, lutam pela uni\u00e3o e for\u00e7a do underground.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Pra terminar&#8230;<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o adianta querer uma cena underground forte como vemos l\u00e1 fora se n\u00e3o fazemos nada para fortalec\u00ea-la. Enquanto permitimos que amadores se proliferem e sobrevivam nesse meio, nunca sairemos dessa mediocridade. N\u00e3o conseguiremos mais do que 30 pessoas em um show se n\u00e3o nos organizarmos e planejarmos bem nossos eventos. N\u00e3o seremos levados a s\u00e9rio se insistirmos em n\u00e3o nos comprometermos com aquilo que fazemos, sejamos m\u00fasicos, produtores, donos de bares ou profissionais da imprensa. N\u00e3o adianta n\u00e3o criticarmos o que vemos de errado se \u00e9 isso que nos limita e nos faz permanecer nessa mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, se n\u00e3o nos profissionalizarmos e, principalmente, se n\u00e3o come\u00e7armos a valorizar\u00a0aqueles que realmente se comprometem com aquilo que fazem, nunca sairemos dessa lama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Willian Jhonnes Salve galera! Estou aqui novamente para discutirmos o underground. Como fiz no artigo passado, vou trazer mais uma face question\u00e1vel da cena underground: o amadorismo. Sempre tive a opini\u00e3o de que\u00a0underground e\u00a0amadorismo nunca foram sin\u00f4nimos, mas n\u00e3o \u00e9 isso que temos visto na cena como um todo. 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